O combate à lavagem de dinheiro no setor de apostas online ganhou novas diretrizes em 2026, com o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) intensificando o monitoramento de operações suspeitas em plataformas licenciadas. As novas regras incluem parâmetros mais específicos para identificação de transações atípicas e obrigações ampliadas de reporte por parte das operadoras.
Novas diretrizes do COAF
As diretrizes atualizadas do COAF para o setor de iGaming estabelecem critérios objetivos que as operadoras devem monitorar: depósitos frequentes em valores logo abaixo do limite de reporte; múltiplas contas vinculadas ao mesmo CPF ou endereço IP; padrões de apostas com retorno próximo ao valor apostado (indicativo de lavagem); e transferências entre contas de apostas sem atividade de jogo proporcional.
As operadoras licenciadas são obrigadas a reportar ao COAF qualquer operação que se enquadre nos parâmetros suspeitos, com prazo máximo de 24 horas para comunicação. O não cumprimento pode resultar em multas e, em casos graves, revogação da licença de operação.
O domínio .bet.br
O domínio .bet.br, de uso obrigatório para plataformas de apostas licenciadas no Brasil, funciona como primeira camada de identificação para o apostador. Sites que não utilizam o domínio regulamentado são automaticamente identificados como ilegais, facilitando o trabalho de bloqueio pela Anatel e a conscientização do consumidor.
A implementação do domínio .bet.br criou uma fronteira clara entre o mercado legal e o ilegal. Operadoras que ainda operavam com domínios .com ou outros durante o período de transição foram notificadas pela SPA e tiveram prazo para migração. Aquelas que não se adequaram foram incluídas na lista de bloqueio.
Resultados até o momento
Desde o início da regulamentação, mais de 130 processos administrativos foram abertos contra operadoras por irregularidades diversas, incluindo falhas em mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro. O Brasil bloqueou mais de 25 mil sites ilegais de apostas através da Anatel, em um esforço coordenado entre SPA, Polícia Federal e o órgão regulador de telecomunicações.
A participação de representantes do COAF e da Polícia Federal no SBC Summit Rio sinalizou a seriedade com que o governo trata o tema. Painéis sobre compliance e prevenção à lavagem de dinheiro foram os mais concorridos do evento, refletindo a preocupação do setor em se manter em conformidade com as exigências regulatórias.
Para 2026, a expectativa é que os mecanismos de monitoramento se tornem ainda mais sofisticados, com integração entre os dados do SIGAP, do sistema bancário (via open banking) e das bases de dados do COAF, criando uma rede de vigilância que torne o setor de apostas um dos mais monitorados do sistema financeiro brasileiro.