A maturidade do mercado de iGaming no Brasil passa necessariamente por três pilares: pagamentos eficientes, regulação sólida e tecnologia de ponta. Essa é a análise de Marlon Tseng, especialista do setor, em artigo publicado pelo BNL Data que examina como a infraestrutura de pagamentos se tornou o diferencial competitivo mais importante para operadoras de apostas no Brasil.
O papel do Pix
O Pix transformou radicalmente a experiência de depósito e saque nas plataformas de apostas. Com transações concluídas em média em 3 segundos, disponibilidade 24/7 e custo baixo, o sistema do Banco Central eliminou a fricção que existia em outros mercados, onde depósitos por cartão de crédito podiam levar horas e saques, dias.
Dados do setor indicam que mais de 95% das transações em plataformas de apostas brasileiras são realizadas via Pix. A segunda opção mais utilizada é o boleto bancário, com menos de 3% do volume, seguido por carteiras digitais e criptomoedas.
Provedores especializados
O ecossistema de pagamentos para iGaming criou uma cadeia de valor própria. Provedores especializados como Pay4Fun, AstroPay, EzzeBank e diversos PSPs (Payment Service Providers) desenvolveram soluções sob medida para as necessidades do setor: processamento em alto volume, conciliação automatizada, compliance antilavagem integrado e APIs que permitem integração rápida com as plataformas de apostas.
O Payment Expert Summit, realizado durante o SBC Summit Rio, reuniu líderes do segmento para discutir os desafios específicos dos pagamentos em iGaming: como equilibrar velocidade e segurança; como lidar com chargebacks e fraudes; e como adaptar-se às constantes mudanças regulatórias.
Desafios regulatórios
A regulação trouxe exigências específicas para pagamentos no setor de apostas. Operadoras são obrigadas a utilizar contas bancárias segregadas para fundos de apostadores, garantindo que o dinheiro dos clientes esteja protegido em caso de problemas financeiros da empresa. Além disso, todas as transações devem ser rastreáveis e reportáveis às autoridades.
O Banco Central tem acompanhado o fluxo de pagamentos do setor com atenção. A preocupação com o volume de transações Pix direcionadas a plataformas de apostas — estimado em mais de R$ 100 bilhões em 2025, considerando depósitos e saques — levou à criação de um grupo de trabalho específico para monitorar riscos sistêmicos associados ao setor.
Para o futuro, especialistas preveem a adoção de open banking e open finance como facilitadores de processos como KYC e verificação de renda, potencialmente permitindo que operadoras identifiquem apostadores que estão comprometendo uma parcela excessiva de sua renda com apostas — uma fronteira entre inovação financeira e jogo responsável.