Copa 2026 movimenta mercado de bets: 37% dos brasileiros vão apostar no Mundial
A Copa do Mundo de 2026 — que acontece entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México — promete ser o maior evento da história do mercado regulado de apostas no Brasil. E uma pesquisa da Kantar, divulgada nos últimos dias, coloca números concretos nessa expectativa: 37% dos brasileiros têm intenção de fazer apostas durante o torneio.
O levantamento foi realizado em novembro de 2025 com 600 entrevistados e traz dados relevantes sobre comportamento e preferências do apostador brasileiro. No total, 77% do público nacional planeja acompanhar o torneio — o que significa que praticamente um em cada dois dos que vão assistir à Copa também pretendem apostar.
O que os brasileiros vão apostar
Entre os que planejam apostar, as preferências revelam um apostador focado no resultado imediato das partidas:
- Resultado das partidas: 51% — lidera com folga, refletindo o tipo de aposta mais intuitivo e acessível para o apostador casual
- Número de gols: 26% — mercado que combina simplicidade com odds atrativas
- Campeão do torneio: 18% — aposta de longo prazo com potencial de retorno alto
- Lances específicos durante partidas: 10% — apostas ao vivo (live betting)
- Artilheiro da competição: 8% — mercado de jogadores individuais
O domínio do mercado de resultados de partidas (51%) é um dado estratégico importante para as operadoras. Indica que o foco operacional para a Copa deve ser na oferta de odds competitivas para match winner e resultados de placar, com ferramentas de apostas ao vivo de alta performance para suportar o pico de tráfego durante os jogos.
Como os brasileiros vão assistir
A pesquisa também mapeou os canais de acompanhamento dos jogos. A TV aberta lidera com 73%, seguida de TV por assinatura (39%), streaming (31%) e redes sociais (23%).
Para o mercado de bets, esse dado tem implicação direta: a dominância da TV aberta — com alcance massivo e gratuito — cria uma audiência dispersa e de difícil alcance digital no momento exato das partidas. As operadoras que investirem em notificações push, apostas simplificadas para mobile e integração com redes sociais terão vantagem na captura desse apostador casual que assiste pelo celular enquanto a TV fica ligada.
O que esperar do volume de apostas
Com 37% dos brasileiros planejando apostar, o potencial de mercado é enorme. Para contextualizar: o Brasil tem cerca de 213 milhões de habitantes, dos quais estima-se que aproximadamente 100 milhões sejam adultos elegíveis para apostas. Se 37% desse universo efetivamente apostar — mesmo que uma fração —, o volume transacionado pode superar facilmente qualquer mês anterior do mercado regulado.
Para efeito de comparação, o mercado regulado arrecadou R$ 2,5 bilhões em tributos apenas no primeiro bimestre de 2026 (janeiro e fevereiro), conforme dados da Receita Federal. A Copa, com a demanda concentrada em 30 dias de torneio e jogos do Brasil potencialmente gerando picos históricos, tem potencial de dobrar esse número em um único mês.
Primeiro Mundial com mercado totalmente regulamentado
Esta será a primeira Copa do Mundo com o mercado brasileiro de apostas plenamente regulamentado. Em 2022, quando a Seleção disputou o Catar, as licenças da SPA ainda não existiam — os brasileiros que apostaram fizeram isso em plataformas ainda sem regulação local ou em operadoras offshore.
Em 2026, as 187 operadoras licenciadas terão a oportunidade de capturar esse volume dentro do mercado legal, com PIX integrado, atendimento em português e conformidade com as regras de jogo responsável da SPA. O jogo responsável, aliás, será desafio central: a pesquisa da Kantar mostra que a Copa atrai um público muito mais amplo do que o apostador regular — o apostador ocasional, motivado pelo evento, que pode apostar sem o histórico de comportamento das plataformas para orientar alertas de risco.
O mercado aguarda a Copa de 2026 como o maior teste — e a maior oportunidade — do setor regulado no Brasil.