O mercado regulado de apostas no Brasil acaba de registrar um marco expressivo. Segundo dados divulgados pela Receita Federal na última terça-feira (24), a arrecadação federal com o setor de bets atingiu R$ 2,5 bilhões no primeiro bimestre de 2026 — um crescimento de 236% em relação ao mesmo período de 2025, quando o total havia sido de R$ 756 milhões.
O que explica o salto
O avanço está diretamente ligado à consolidação do mercado regulado. Com a Lei nº 14.790/2023 em vigor e o funcionamento integral das regras desde 1º de janeiro de 2025, a base tributária se ampliou significativamente. Empresas que antes operavam à margem do sistema agora atuam de forma regular, com CNPJ nacional, autorização da SPA/MF via SIGAP e obrigações fiscais definidas.
A Receita Federal atribui o resultado à estruturação do setor após a implementação das regras. A formalização das operadoras permitiu ao Fisco mapear receitas que antes não eram plenamente identificadas, ampliando a captação de recursos de forma orgânica — sem necessidade de aumento de alíquota.
Tributação: de 12% para 15% até 2028
A cobrança de 12% sobre a receita bruta das operações — o GGR (Gross Gaming Revenue) — começou a valer em 2025, marcando o início efetivo da incidência tributária sobre o setor. Porém, o cenário tributário está em movimento: no fim de 2025, o Congresso Nacional aprovou um Projeto de Lei Complementar (PLP) que prevê elevação gradual da alíquota.
O cronograma aprovado é o seguinte:
- 2026: 13% sobre o GGR
- 2027: 14% sobre o GGR
- 2028: 15% sobre o GGR
Essa progressão gradual foi negociada entre governo e setor como forma de evitar um choque tributário que pudesse empurrar operadoras de volta à informalidade. Ainda assim, representantes do setor alertam que a carga combinada — federal, estadual e municipal — pode tornar a operação no Brasil menos competitiva em relação a outros mercados regulados da América Latina.
Brasil: 5º maior mercado de apostas do mundo
Os números do primeiro bimestre reforçam a posição do Brasil como potência global no setor de apostas. O país encerrou 2025 como o 5º maior mercado de apostas do mundo, em seu primeiro ano sob regras definidas. Com 187 operadoras licenciadas pela SPA em março de 2026, o mercado brasileiro combina escala populacional, penetração digital e apetite por apostas esportivas — uma combinação que atrai operadores globais e investimentos crescentes.
Para o setor, o desafio agora é duplo: manter o crescimento da arrecadação (o que interessa ao governo) sem comprometer a sustentabilidade das operadoras (o que interessa ao mercado). A elevação gradual da alíquota e o aumento da fiscalização — que já pressiona empresas a investirem em compliance e estrutura jurídica — devem definir quais operadoras sobrevivem ao processo de maturação do mercado regulado brasileiro.
Perspectiva
Se o ritmo do primeiro bimestre se mantiver, a arrecadação anual com bets pode ultrapassar R$ 15 bilhões em 2026 — mais que o triplo do arrecadado em 2025. É um número que coloca o setor no radar da política fiscal e reforça a tese de que a regulamentação, apesar das críticas, está cumprindo seu objetivo primário: transformar uma atividade antes informal em fonte relevante de receita tributária.