Programação de painéis e expo abrem oficialmente no Transamerica Expo Center com participação de FEBRABAN, COAF, SPA, ANJL e Ministério do Esporte
O segundo dia da BiS SiGMA South America 2026, nesta segunda-feira (7), marca a abertura oficial da programação de painéis e da área de exposições no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Com 18.500 delegados, 400 expositores, 250 palestrantes e mais de 50 painéis distribuídos em três palcos, o evento — descrito pelos organizadores como a maior edição da história — inaugura sua grade de conferências com um balanço do primeiro ano de apostas regulamentadas no Brasil.
O palco central: um ano de regulamentação
O painel de abertura no Palco Itaim, intitulado "Um ano de regulamentação e o quinto maior mercado global em receita de apostas online", reúne representantes do governo, do sistema financeiro e da indústria para avaliar os resultados concretos da implementação da Lei 14.790/2023. Entre os confirmados estão Isaac Sidney Menezes Ferreira, presidente da FEBRABAN, Ricardo Saad, presidente do COAF, Fábio Macorin, subsecretário da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), Giovanni Rocco Neto, secretário nacional de Apostas Esportivas e Desenvolvimento Econômico do Ministério do Esporte, e Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL.
A presença do presidente da FEBRABAN e do COAF na mesma mesa sinaliza a centralidade que o combate à lavagem de dinheiro e à integridade financeira assumiram no debate regulatório — temas que, há dois anos, eram tratados como secundários pelo setor.
Os números do primeiro ano
Os dados apresentados durante a programação consolidam o retrato do mercado brasileiro após o primeiro ciclo completo de operação regulada. Em 2025, o Brasil registrou:
25,2 milhões de apostadores — número de CPFs únicos que realizaram apostas em plataformas licenciadas, o que representa cerca de 10% da população brasileira.
79 empresas legalizadas operando com licença da SPA, de um universo de mais de 80 que obtiveram autorização ao longo do ano, segundo a ANJL.
R$ 36,9 bilhões em receita bruta — o que posiciona o Brasil como o 5º maior mercado global de apostas online, com receita estimada em US$ 4,1 bilhões, segundo dados divulgados pelo Senado Federal em 1º de abril.
R$ 9,95 bilhões em arrecadação tributária — valor que inclui a tributação sobre GGR das operadoras e o imposto de renda sobre prêmios dos apostadores.
Do total arrecadado, 12% da receita é destinado a áreas sociais, com distribuição que inclui: Esporte (R$ 1,6 bilhão), Turismo (R$ 1,3 bilhão), Segurança Pública (R$ 614 milhões), Educação (R$ 459 milhões) e Previdência Social (R$ 454 milhões).
Perfil do apostador e combate ao mercado ilegal
O perfil do apostador brasileiro revelado pelos dados é predominantemente jovem e masculino: 68,3% são homens e 74% têm menos de 40 anos. A concentração etária reforça a preocupação de reguladores com programas de jogo responsável voltados ao público jovem adulto — tema que será abordado em painéis específicos ao longo dos quatro dias de evento.
No front do combate à ilegalidade, os números mostram avanço significativo: 25 mil sites ilegais de apostas foram bloqueados em 2025 pela SPA em coordenação com a Anatel. O dado demonstra a escala do desafio: apesar do volume expressivo de bloqueios, novas plataformas ilegais continuam surgindo, operando a partir de jurisdições offshore sem qualquer compromisso com proteção ao apostador ou prevenção à lavagem de dinheiro.
COAF: notificações saltam 30 vezes
Um dos dados mais expressivos apresentados no contexto do evento diz respeito ao combate à lavagem de dinheiro. Após a regulamentação, as empresas de apostas geraram 27.600 notificações obrigatórias ao COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) relativas a operações suspeitas — um salto de 30 vezes em relação às apenas 928 notificações registradas em 2024, quando o mercado ainda operava sem marco regulatório definido.
O aumento reflete a implementação dos protocolos de compliance antilavagem exigidos pela regulamentação, que obrigam operadoras a monitorar padrões atípicos de movimentação financeira e reportar automaticamente ao COAF. Para o presidente do COAF, Ricardo Saad, presente no evento, o volume de notificações é indicador positivo: demonstra que as operadoras reguladas estão cumprindo suas obrigações de reporte, ao mesmo tempo que expõe a dimensão dos riscos financeiros associados ao setor.
ANJL: "a base está construída, 2026 será o teste"
O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, classificou 2025 como o ano que "construiu a base" do mercado regulado brasileiro. Segundo Jorge, os principais desafios para 2026 incluem o aumento progressivo da carga tributária — que testará a viabilidade econômica de operadoras menores —, a possibilidade de restrições à publicidade e a continuidade do combate às operadoras não licenciadas.
O segundo painel do Palco Itaim, "Uma visão global, mas a solução é brasileira", amplia o debate para a perspectiva internacional, com participação de representantes de reguladores estrangeiros e da indústria global — incluindo David Z. Bean, presidente da Indian Gaming Association (EUA), e parlamentares como o senador Irajá e o deputado federal Fred Costa.
A programação da BiS SiGMA South America 2026 segue até quarta-feira (9), com painéis sobre integridade esportiva, tecnologia, pagamentos e o futuro regulatório do setor no Brasil e na América Latina.