Pesquisa da Kantar com 600 brasileiros mostra que resultado das partidas lidera preferência dos apostadores; setor se prepara para primeiro grande evento esportivo sob a Lei 14.790/2023
A Copa do Mundo de 2026 será a primeira da história do futebol com o mercado brasileiro de apostas esportivas totalmente regulamentado. E o apetite dos torcedores por essa combinação já é mensurável: segundo pesquisa da Kantar, realizada em novembro de 2025 com 600 brasileiros e divulgada em 30 de março de 2026, 37% dos entrevistados pretendem apostar durante o Mundial — um número expressivo em um país que conta hoje com 187 plataformas de apostas licenciadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.
O torneio, que acontecerá em junho e julho de 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México, será o maior da história da FIFA: 48 seleções disputarão 104 jogos ao longo de cinco semanas — um aumento de 60% em relação às 64 partidas das edições anteriores. Para o mercado de apostas, cada jogo adicional representa mais oportunidades de engajamento e volume de transações.
Como o brasileiro quer apostar
A pesquisa da Kantar revela que 77% dos brasileiros pretendem acompanhar a Copa de 2026, com a TV aberta liderando como meio de consumo (73%), seguida por TV por assinatura (39%), streaming (31%) e redes sociais (23%). Entre os que pretendem apostar, os mercados favoritos são:
Resultado das partidas: 51% dos apostadores; número de gols: 26%; campeão do torneio: 18%; lances específicos (escanteios, cartões, pênaltis): 10%; artilheiro da competição: 8%. O predomínio de mercados simples — como resultado e gols — indica que a Copa funciona como porta de entrada para apostadores casuais, que representam o maior potencial de crescimento para as operadoras reguladas.
O primeiro Mundial regulado
A Copa da Rússia (2018) e a Copa do Catar (2022) foram disputadas quando o Brasil ainda não tinha um mercado regulado de apostas. Segundo levantamento do banco britânico Barclays, a Copa de 2022 movimentou cerca de US$ 35 bilhões em apostas esportivas globalmente — crescimento de 65% em relação à edição de 2018. A projeção para 2026, com mais jogos, mais seleções e mercados regulados em novos países, é de números ainda superiores.
No Brasil, a diferença é estrutural. Na Copa de 2022, apostadores brasileiros utilizavam plataformas offshore sem qualquer supervisão regulatória, proteção ao consumidor ou obrigação fiscal. Agora, sob a Lei nº 14.790/2023, todas as 187 operadoras licenciadas são obrigadas a implementar ferramentas de jogo responsável, verificação de identidade (KYC), prevenção à lavagem de dinheiro e pagamento de tributos — incluindo a alíquota de 15% sobre o GGR (Gross Gaming Revenue).
Operadoras já se movimentam
No BiS SiGMA Americas 2026, que acontece de 6 a 9 de abril em São Paulo com mais de 18.500 participantes e 400 expositores, a Copa do Mundo é tema recorrente nos corredores e painéis. Operadoras licenciadas como bet365, Betano e Superbet já abriram mercados antecipados para o torneio, permitindo apostas no campeão, artilheiro e desempenho de seleções específicas.
O desafio central, segundo executivos do setor, é a retenção: a Copa atrai milhões de apostadores casuais que podem fazer uma ou duas apostas e nunca mais retornar à plataforma. Transformar esse pico de engajamento em relacionamento de longo prazo — com experiência de produto, comunicação e suporte que impressionem positivamente — é o que separa um evento pontual de uma oportunidade real de crescimento sustentável.
Conteúdo como estratégia
A pesquisa da Kantar também mapeou o comportamento de consumo de conteúdo durante a Copa. 68% dos entrevistados buscam notícias sobre os jogos, 50% consomem memes e redes sociais, 38% assistem a vídeos de melhores momentos e 32% acompanham estatísticas. Esses dados são relevantes para operadoras e afiliados que investem em marketing de conteúdo como estratégia de aquisição e engajamento.
A combinação de um torneio ampliado, um mercado regulado maduro e uma população com alta afinidade por apostas faz da Copa de 2026 o maior teste de estresse que o mercado brasileiro de iGaming enfrentará desde a regulamentação. Com 37% da população declarando intenção de apostar e 187 plataformas disputando esses clientes, os próximos meses serão decisivos para definir quem se consolida — e quem fica para trás.