A temporada 2026 do Campeonato Brasileiro Série A marca uma mudança significativa no cenário de patrocínios: o número de clubes com casas de apostas como patrocinadoras master caiu aproximadamente 30% em relação a 2025, quando 19 dos 20 times exibiam marcas de bets em seus uniformes. A redução é consequência direta da regulamentação que entrou em vigor no início de 2025.
O novo cenário
Em 2026, cerca de 13 equipes da Série A mantêm contratos de patrocínio master com empresas de apostas, segundo levantamento da Folha de S.Paulo. A redução se deve principalmente à saída de operadoras que não obtiveram licença da SPA ou que optaram por não renovar contratos diante dos custos regulatórios. Operadoras menores, que financiavam clubes de menor expressão, foram as mais afetadas.
Por outro lado, os contratos remanescentes são, em média, mais valiosos. O maior patrocínio master do futebol brasileiro segue sendo o da Betano com o Flamengo, avaliado em R$ 268,5 milhões por ano — contrato firmado em 2025 e que representa o maior valor já pago por uma casa de apostas a um clube brasileiro. A Superbet com o São Paulo e a Esportes da Sorte com o Corinthians completam o top 3 em valores.
Impacto financeiro nos clubes
A redução de patrocinadores de bets criou um desafio financeiro para clubes que dependiam dessas receitas. Equipes como Cuiabá, Juventude e RB Bragantino, que tinham contratos com operadoras que deixaram o mercado, precisaram buscar alternativas — nem sempre encontrando substituições de valor equivalente.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os clubes menores das Séries B, C e D são os mais preocupados. Nestas divisões, os patrocínios de bets frequentemente representavam a maior fonte de receita, e a perda desses contratos ameaça a sustentabilidade financeira de dezenas de clubes.
Novas estratégias
As operadoras que permanecem no mercado estão diversificando suas estratégias de marketing. Além do patrocínio master em camisas, empresas como Betano, bet365 e Novibet investem em naming rights de estádios, patrocínio de transmissões, ativações em estádios e conteúdo digital. A tendência é que o investimento total em esporte se mantenha elevado, mas distribuído de forma mais diversificada.
A expectativa do mercado é que a discussão sobre restrições adicionais à publicidade de apostas — incluindo o PL que tramita no Senado — possa acelerar ainda mais essa transformação. Para os clubes, a diversificação de fontes de receita se tornou uma questão de sobrevivência financeira.